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ENTREVISTAS
Projeção Internacional
Neste bate-papo com nossos leitores, ele anuncia sua nova obra, com lançamento previsto para setembro deste ano. O livro As inteligências múltiplas e seus estímulos conquistou grande reconhecimento no Brasil e no exterior, sendo publicado na Espanha, no México e, recentemente, em Portugal. Ao escrevê-lo, já imaginava uma repercussão tão grande? Celso Antunes: Jamais poderia sonhar que meu livro tivesse esse alcance e essa projeção internacional. Para mim, cada livro é como um filho querido que se acalanta e com o qual muito se sonha, sem pensar que os sonhos podem se tornar realidade. Creio que esse sucesso deve-se ao fato de afastar-se de uma digressão essencialmente teórica sobre o assunto e mostrar as inteligências múltiplas no cotidiano de todos nós e na sala de aula de todo dia. Jogos para bem falar é o título de seu próximo livro pela Papirus. Qual sua expectativa a respeito dessa obra? Celso Antunes: O meu próximo livro pela Papirus é sobre a linguagem e seu exercício no lar e na escola. Procurando fazer uma análise da diferença entre o “dizer” e “falar”, busca explicar que o dizer é produto do instinto que não cabe educar, mas que o bem falar se aprende e que não é difícil para pais e professores desenvolverem uma consciente educação do bem falar. Divide-se em duas partes: a primeira busca bases científicas e neurológicas sobre a tese que argumenta, enfatizando a imensa relação entre a fala e o pensamento; a segunda parte propõe cerca de cem jogos simples que podem ajudar os educadores a ensinar a arte da fala e, por essa via admirável, uma consciente educação do pensamento. Como disse acima tenho sonhos a respeito desse livro, mas apenas a realidade cotidiana dirá de sua concretização, ou não. Professor, diretor de escola, autor de inúmeras obras, palestrante – como essas mudanças foram acontecendo ao longo de sua vida? E de que forma consegue conciliar seu tempo? Celso Antunes: Minha vida de educador nada tem de especial. Em 1958, ainda estudante da Faculdade de Filosofia da USP, comecei a ministrar aulas. Indignado com império imbatível de apenas aulas expositivas, passei a pesquisar outras formas de ministrar aulas e fui muito feliz. Em pouco tempo comecei a ser procurado para falar sobre essas maneiras de ensinar. Ministro atualmente cerca de 170 palestras por ano d Macapá à Bagé, de Lisboa a Huelva e mantenho a média de quatro a cinco novos livros a cada ano, nem sempre editados. Não vejo nada demais nessa tarefa, nem creio que minha vida seja “uma correria só”, pois curto com prazer minhas caminhadas diárias, aulas de musculação duas vezes por semana e, é claro, não perco um bom jogo de futebol na televisão e, quando possível, “ao vivo”. Vou bastante ao cinema, e ao teatro não chega a ser uma raridade. Sou um leitor compulsivo e, como viajo muito, posso esquecer o aparelho de barbear, mas jamais a companhia de algumas boas leituras. Acho que das coisas boas que aprendi na vida, uma delas foi administrar o tempo e fazê-lo meu servidor, jamais ao contrário. FOLHA DE SÃO PAULO, Domingo, 10 de agosto de 2003 |
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